Entrevista: Henrique Resende

by - terça-feira, agosto 14, 2012



Cês não tem ideia de como estou orgulhosa e feliz de trazer essa entrevista para o Rock. Primeiro, porque é uma honra entrevistar alguém que eu admiro tanto - pelo o seu trabalho e pela pessoa que é. Henrique Resende além de incrível fotógrafo, é editor do site Fotografe uma Ideia! , que, acredito eu, a maioria de vocês deve conhecer, e que é refúgio obrigatório dos fotógrafos, principalmente nos dias que falta inspiração, para se deliciar com matérias incríveis e inspiradoras. Suas fotos transmitem mensagens. 

Acompanho o trabalho do Henrique há tempos, desde que o conheci em 2010 (acredito eu), e desde então tenho me fascinado com o seu trabalho. 
Além disso tudo, esse ano Henrique foi convidado para participar do São Paulo Fashion Week e aqui, nessa entrevista, além de conhecer um pouquinho mais do Henri, seu trabalho, suas dicas, vocês também vão poder ler um pouco do relato de um fotógrafo de uma das semanas de moda mais importantes do país (se não do mundo!), UI! 





Como você começou a se interessar por fotografia?

Eu nunca gostei de passar muito tempo com outras crianças, então passava a maior parte do dia sozinho e fazendo o que eu queria/gostava. Pra você ter ideia, com 13 anos eu tocava violoncelo numa orquestra e atuava num grupo de teatro da escola. Eu morava em Ouro Branco, Minas Gerais, uma cidade com a paisagem lindíssima. Sempre saía passeando pelo bairro e, um dia, comecei a levar o celular para fotografar algumas coisas. Uma amiga, a Amanda Barreto, começou a notar meu interesse pela Fotografia e me mostrou o Fotografe uma Ideia, site do qual, hoje, eu sou editor. As coisas passam e a gente nem vê, né?Fotografei meu primeiro retrato "decente" em 1 de janeiro de 2008. A modelo foi a própria Amanda, que até hoje posa pra mim quando viajo pra Minas. Minhas melhores amigas são as maiores culpadas da minha Fotografia.

De onde você tira inspiração para o seu trabalho?

A inspiração vem de coisas aleatórias com as quais tenho contato, principalmente relacionadas à literatura e ao cinema. Eu acredito na diferença entre inspiração e influência: as influências são as que criam raízes no nosso espírito. Você quer saber sobre essas? Elas são completamente imateriais, estão nas experiências com as poucas pessoas para as quais eu entrego meu trabalho. Ultimamente, três coisas tem criado essas raízes em mim: o trabalho de um amigo artista carioca, o Rodrigo Benatti; o livro A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera; a morte da minha mãe. Esses três fatores juntos me causaram uma reforma muito grande há alguns meses.

E como foi a sua experiência no São Paulo Fashion Week?

  Foi um alerta, antes de tudo. Muita gente quer fotografar moda, mas só sabe o nome de algumas poucas modelos super famosas e acha que está por dentro do assunto. Era o meu caso. Eu tinha o falso status da imprensa internacional, mas não conhecia nada e ninguém. Aos poucos, comecei a reconhecer algumas modelos, maquiadores e acessoras de imprensa.  É muito mais fácil estabelecer contato quando se trata pelo nome, principalmente pra fotografia de backstage.
É uma semana muito cansativa, que exige preparação do corpo e da saúde. Mas... Ah, é uma energia maravilhosa, aquela confusão toda.





Qual sua fotografia preferida? Ou trabalho inteiro?

Minha série "Interpretações Nuas", eu acho. Foram as primeiras fotos depois daquela 
autorreforma.



E qual o seu fotógrafo preferido?

Ryan McGinley.

E artista preferido? O que mais te inspira?

Rodrigo Benatti.

 E que conselho você daria para quem está começando na fotografia, como começar bem?

As pessoas precisam entender que a Fotografia não se trata exclusivamente da câmera nem da quantidade de megapíxeis que ela tem.Primeiro, é preciso estudar a história da arte e buscar por referências.Assim, começamos a criar um elo entre a linguagem dos nossos artistas favoritos e nosso estilo pessoal.Depois que já sabemos do que gostamos, vamos atrás do "como fazer o que gostamos". É aí que começa o estudo da técnica.Aliás... Não existe uma ordem fixa, mas eu gostaria de ter começado desse jeito.

O que você acha da lomografia?

Acho super interessante, mas só pra brincar. Ganhei uma Spinner 360º há alguns meses e me divirto com ela.

E qual câmera você indica? Uma que você goste muito.

Minha primeira DSLR foi uma Nikon D5000. Só fui começar a reclamar dela depois de mais de dois anos de uso. O custo benefício é ótimo e a câmera tem tudo que alguém precisa pra começar a aprender a fotografia.

Henri, o que você mais gosta de fotografar?

Retratos e nu. Os retratos têm uma energia muito intensa, principalmente quando eu não estou lidando com algum cliente. Fotografar por prazer com alguém posando também por prazer é uma das emoções mais gratificantes. Quando alguém confia a própria imagem às minhas mãos... É lindo.

Quais seus próximos objetivos em mente? Sonhos?

Eu voltei pra São Paulo (capital) recentemente. Pretendo colocar em prática todos os planos que tive que interromper... Quero levar meu portfólio novo - minha vida pode ser dividida entre antes e depois daquela autorreforma - a algumas agências. Estou analisando a possibilidade de expor Interpretações Nuas, estudando para criar um workshop sobre linguagem de fotografia. É muita coisa que ficou guardada... Meu maior sonho? Refazer o caminho do Che Guevara, fotografando tudo.

Quem é o Henrique nos autorretrato? 

Eu sou a mesma pessoa que fotografa, mas com algumas liberdades a mais de interpretação. Não sei me fotografar na frente dos outros e não sei me deixar fotografar pelos outros. É por isso que gosto do autorretrato, porque eu estou sozinho com o que amo fazer.






De arrepiar, não é? O Henrique é uma das pessoas mais especiais que eu já conheci! Um amor de pessoa, de verdade. E aqui no site dele vocês podem encontrar um pouco mais do trabalho do Henrique. Além disso, ele sempre está no twitter também.   Com certeza uma das melhores entrevistas da minha vida. Obrigada, Henrique, de verdade!Um beijo, Jú.


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4 Opiniões sobre

  1. Eu adoro o Henrique, acho ele MUITO inteligente e sabe o que quer da vida!

    Ele é como se fosse um amigo pra mim.

    Ótima entrevista!

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  2. O Henrique é demais, não é? Adorei a entrevista também! Um beijo

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