About time

by - terça-feira, fevereiro 24, 2015



Existem poucos filmes na minha lista de "filmes-tem-que-assistir-pra-aprender-a-viver", e eu juro que a culpa não é minha. Na verdade, eu gosto bastante de cinema e há uma lista considerável de longas que eu gostaria de assistir ainda esse ano (e a lista não é pequena, viu), mas na correria do dia a dia, muitos ficam para trás. O filme "About time", por exemplo, é um desses casos. A vontade de assistir é antiga, o filme é de 2013 mas somente hoje, 24 de fevereiro de 2015, finalmente eu consegui assisti-lo e comprovar as minhas expectativas com o romance. Valeu a pena. Na verdade, valeu muito a pena.

"About time" não é mais um romance meloso do tipo que faz você chorar horrores, ou que vem carregado de um drama espetacular - não, nenhum dos protagonistas está à beira da morte, não tem um cachorrinho de estimação e ele não se alista no exército - mas ainda assim, é comovente, delicado e extremamente especial. "About time", como o próprio nome sugere, não brinda apenas e somente o amor. Brinda o tempo.

E puxa vida, isso inevitavelmente me leva a uma reflexão. Imagine só você, no papel do protagonista, e com o poder de viajar no tempo segundo a sua vontade. Isso mesmo. Viajar no tempo. O tipo de coisa que todo mundo já desejou pelo menos uma vez na vida - ou uma centena de vezes, como no meu caso - mas que, no fundo, ninguém nunca se perguntou exatamente como seria gozar de todo esse poder. Imagina: poder mudar tudo. Tudo.

E é exatamente isso que Tim, o protagonista brilhantemente interpretado por Domhnall Gleeson, pode. Mudar tudo. Conhecer novamente o amor da sua vida, concertar pequenos e grandes erros ou até mesmo reviver momentos inesquecíveis. Tim pode fazer praticamente tudo aquilo que, se nós, meros mortais pudêssemos, faríamos. E o mais impressionante é que, ao longo do filme, Tim descobre que esse poder não é tão valioso assim. Não mesmo.

O tempo - compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, como já diria Caetano - na verdade demonstra para Tim que poder voltar no passado e fazer tudo absolutamente diferente não é necessariamente uma coisa boa. Na verdade, existem sim erros que são imprescindíveis e sem os quais, MUITA coisa mudaria. E não exclusivamente para melhor. Existem, sim, males que vêm para o bem.

Mas dói, não é? É bem chato pisar na bola, levar um fora, tropeçar na rua e cair de cara no chão. Quem não gostaria de voltar atrás, dar um fora naquele babaca, pedir desculpas antes da despedida, abraçar forte quem a gente abandonou por orgulho? A gente gostaria, sim, de poder voltar no tempo. Mas será que seria tão bom assim?

A verdade - descobre Tim - é que o tempo mais precioso que todos nós temos, e isso vale para os viajantes do tempo e para os meros mortais, é o nosso próprio presente. Nada, nem passado, nem futuro, nem álbum de fotografia ou previsão astrológica, NADA, é mais importante do que o que nós vivemos agora, enquanto, por exemplo, lemos esse texto. É esse momento de agora que modela o nosso futuro e que justifica, de alguma maneira, o nosso passado. O que realmente importa é o agora.

E não, isso não tem uma pegada apelativa do tipo "carpe diem" ou algo do tipo. O que o filme está querendo dizer e nos mostrar com uma história linda, repleta de amor, companheirismo, amizade e família, é que tudo o que nós podemos fazer quanto o tempo é aproveitá-lo aqui, nesse instante, enquanto o temos. Porque um dia, infelizmente, será tarde demais. Inclusive para Tim. E sabe o que restará, mais uma vez? O agora. Sempre.

E se ainda assim você não está convencido de que esse filme pode sim erguer uma reflexão positiva sobre a sua propria vida - do tipo: será que eu estou sendo feliz o bastante? estou aproveitando o meu "agora"? - pelo menos faça-se o favor de assisti-lo pela trilha sonora, que, aliás, é imperdível. Ou então pela atuação da atriz Rachel McAdams, que com certeza vai fazer você querer cortar o cabelo (e isso é sério!). O mais importante para mim, é que, independentemente do motivo, você assista esse filme (um dos poucos da minha lista, lembra?). Agora. Não perca tempo.


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