Somos todos Divergentes

by - quinta-feira, fevereiro 05, 2015




Assisti nessa tarde, pela primeira vez, o filme Divergente, baseado no livro de mesmo nome de Veronica Roth, escritora americana, e não pude deixar de observar com entusiasmo - e alívio - a sociedade criativa e inusitada criada na ficção. Ufa - Pensei. Ainda bem que não estou lá. Para quem nunca assistiu, serei breve: Beatrice é uma jovem que, assim como outros adolescentes, tem de passar por um teste e uma decisão pessoal que determinarão o seu futuro, ou pelo menos a facção a qual pertencerá. Para isso, no entanto, ela terá de provar para os outros - e para si mesma - que fez a escolha certa, que é aquilo e pronto, está decidido. Está?

Para a infelicidade da garota, não é tão simples. Não. Beatrice não é como seus amigos ou até mesmo como seu irmão. Beatrice é uma divergente. E isso significa que, ao contrário de todos, ela não pertence a uma facção específica. Na verdade, como o próprio nome sugere, ela diverge de todos os estigmas de cada facção. E isso justamente por colecionar características que poderiam facilmente enquadrá-la como gentil, valente ou verdadeira. A verdade é que Beatrice tem um pouco de cada característica e, com isso, tem um desenvolvimento mental e psicológico que a torna uma ameaça para a prosperidade das demais facções. Exatamente como nós. Eu e você. Não nos enquadramos perfeitamente em um estigma. Somos humanos.

E, nossa, como é bom ser - ser humano! Como é bom dispôr da liberdade que dispomos para sermos o que bem entendermos, sem nos preocuparmos com o que pensarão de nós ou o que dirão a respeito. Mas será que não nos preocupamos? Mesmo?

A verdade é que, embora libertos em uma sociedade teoricamente livre e igualitária, não dispomos de tanta franqueza assim. E digo teoricamente porque, na prática, essa liberdade deflagrada não passa de uma ficção inventada, assim como a sociedade pós-apocalíptica do filme ou o sistema de facções. É ficção. A sociedade estigmatiza sim - e o pior, mascaradamente. Julga, sim. E isso, às vezes, nem é tão escondido. E mais: a gente não se enquadra, sim. Justamente porque é demasiado humano ser diferente.

E, exatamente como no filme, o quadro se repete bem diante dos nossos olhos: separação, julgamento, condenação. Estamos acostumados com a vigilância, somos observados. Com isso, o big brother que se instaura entre tantas redes sociais, programas televisivos e câmeras fotográficas nos afasta, cada vez mais, do que realmente somos por aquilo que devemos ser. Ou queremos ser. Ou queremos parecer ser.

Não é justo. Não. Não é justo com os divergentes executá-los somente porque, abençoados que são, eles divergem dos demais. Devemos exaltá-los! Que coragem, que valentia! E que honra é ser exatamente aquilo que é! Não é justo criticar aqueles que têm coragem para sair do comum, para mudar de opinião e - por que não? - descobrir que escolheram a facção errada. Ainda dá tempo de mudar de lado. Ainda dá tempo.

Quanto à nós, humanos, demasiadamente humanos, prossigamos nossa evolução. Sim, ainda a mais por vir. E sim, também mudamos. Na verdade, estamos em constante mudança - e não dentro de alguma facção específica. É imperativo mudar, é urgente ser aquilo que é. Reconheçamos nossa valentia: no fundo, somos todos divergentes.


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6 Opiniões sobre

  1. Esse filme é mt bom msm! Qual aplicativo vc usa nas suas fotos do insta ? Bju

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  2. Vai ter post sobre os aplicativos ainda essa semana ;)

    E Mari, obrigada pelo carinho de sempre! <3

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  3. Oi, Ju!

    Fuxicando seu blog aqui! haha..
    Divergente é só amor. <3 - e os livros são ainda melhores. Você que também gosta de filosofia, iria amá-los.
    Para mim o mais incrível foi essa relação, que o próprio gênero da distopia tem, do mundo inventado, para chamar atenção para algo no mundo real. Acredito que a questão seja exatamente essa. De que não somos somente corajosos, sinceros ou amigos... Somos um mix de coisas. E temos direito de ser como bem entendermos! Claro! Na época refleti muito sobre ideologias diferentes, tipo políticas e etc. As pessoas acreditam que você só pode estar de um lado, ter uma única opinião. Mas eu acho que não. Acredito que posso discordar dessas posições, teorias, e ter meu ponto de vista, e que tenho o direito de refletir livremente sem ser "condenada" por isso. Essa é a graça! Divergir! Li o livro e fiz resenha, post sobre o filme e um texto refletindo sobre ele. Achei legal ver que você assistiu ao filme e também foi para o lado da reflexão. <3 É, realmente, o mais fascinante.
    Beijos :*

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  4. Oi, Ju!

    Fuxicando seu blog aqui! haha..
    Divergente é só amor. <3 - e os livros são ainda melhores. Você que também gosta de filosofia, iria amá-los.
    Para mim o mais incrível foi essa relação, que o próprio gênero da distopia tem, do mundo inventado, para chamar atenção para algo no mundo real. Acredito que a questão seja exatamente essa. De que não somos somente corajosos, sinceros ou amigos... Somos um mix de coisas. E temos direito de ser como bem entendermos! Claro! Na época refleti muito sobre ideologias diferentes, tipo políticas e etc. As pessoas acreditam que você só pode estar de um lado, ter uma única opinião. Mas eu acho que não. Acredito que posso discordar dessas posições, teorias, e ter meu ponto de vista, e que tenho o direito de refletir livremente sem ser "condenada" por isso. Essa é a graça! Divergir! Li o livro e fiz resenha, post sobre o filme e um texto refletindo sobre ele. Achei legal ver que você assistiu ao filme e também foi para o lado da reflexão. <3 É, realmente, o mais fascinante.
    Beijos :*

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  5. Vi, sua fofa! Fiquei tão feliz em ver que apareceu por aqui! Curti o filme e principalmente essa mensagem que podemos tirar dele - para além do lugar comum de babar com o protagonista, devorar pipoca e sair do cinema esperando o próximo. Acho mega importante absorver a intenção dos autores! Seu blog é só amor, e pretendo falar dele aqui no blog, se me permitir! Um beijo enorme <3

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