Vida e arte de Frida Kahlo

by - segunda-feira, março 23, 2015



Quem me conhece de perto, sabe: Frida Kahlo é uma das minhas maiores ídolas feministas do mundo, e como se não bastasse isso, admiro muito também o seu trabalho como artista e a sua personalidade forte, transmitida, por exemplo, nos seus sempre excêntricos looks e adornos. Além disso, Frida era comunista de carteirinha, amante do seu país, o México, e completamente apaixonada, como muitas mulheres, pelo seu Dieguito (o igualmente famoso artista Diego Rivera), com quem viveu uma dessas paixões loucas e intensas, com direito a traições e, curiosamente, cumplicidade. Isso mesmo: cumplicidade. E acredito eu que nenhuma outra palavra no mundo poderia descrever melhor esse relacionamento.

A mulher que já teve relações com Trótski, o revolucionário bolchevique, e que também passou por muitos traumas e perdas durante a sua vida (como a poliomelite, aos 6 anos, e o trágico acidente de ônibus já adulta), foi a mesma artista que traduziu em suas criações uma sensibilidade aguçada, um quê de cor único e especialíssimo só da Frida, um olhar único e sincero diante das coisas do mundo. E mais: uma coragem e uma valentia surpreendentes, que a levaram a tomar-se como protagonista dos seus mais famosos quadros, os auto-retratos. 

E foi assim, transmutando dor em arte, lágrima em cor, que Frida se eternizou na história da arte contemporânea e se tornou símbolo e marca registrada de um México alegre, colorido e orgulhoso de suas raízes indígenas - como Frida fazia questão de lembrar.

1. Self-Portrait with Thorn Necklace and Hummingbird. 2. Self-Portrait as a Tehuana.
 3. Without hope. 4. The Two Fridas

Consequentemente, a irreverência e a personalidade com que Frida se arrumava, sempre com muitas estampas, a famosa coroa de flores na cabeça e as inspirações da cultura mexicana, transformaram seu estilo em um ícone da moda e referência inclusive para diversos editoriais voltados para a cultura latino-americana. Além disso, como símbolo feminista, invariavelmente Frida inspira mulheres, inclusive famosos, a copiarem suas produções alegres e únicas - com direito até mesmo ao destaque à sobrancelha, característica de Frida.
 Assim, como uma artista que fez-se personagem da história do México e, principalmente, da arte latino-americana, Frida levantou bandeiras importantes, questionou o papel da mulher na sociedade moderna e idealizou um mundo mais democrático, com aspirações diretas de cunho marxista. Além disso, enfrentou extremas dificuldades, julgamentos e decepções sem, no entanto, perder a valentia. Nem as flores: que mantiveram-se intactas no topo de sua cabeça.

UPDATE!


Para quem já conhece um pouco da história da Frida ou ficou interessado, não percam a peça Frida y Diego, em cartaz até o dia 29 de março no teatro Maison de France, no centro do Rio. Com texto de Maria Adelaide Amaral e interpretações majestosas de Leona Cavalli e José Rubens Chachá, a peça conta um pouco da conflituosa - e, ainda assim, linda - história de amor do casal, e da vida de Frida em cidades do México e dos Estados Unidos. Destaque principalmente para a trilha sonora - acompanhada, ao vivo! - e os figurinos - sempre lindos e alegres, como Frida adoraria.


Um beijo, Jú.



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