Eu assisti: 6 indicados do Oscar

by - sexta-feira, abril 10, 2015


Tardo, mas não falho. Aproveitando uma das semanas em casa devido o adiamento das aulas, pus em dia alguns filmes do Oscar que eu estava doida pra ver. E como valeu a pena! A premiação desse ano contou com produções estreladas, criativas e históricas. Isso mesmo, históricas: vários dos filmes aproveitaram um contexto histórico ou então foram baseadas em histórias reais, o que é ótimo - garante uma credibilidade única para o enredo, além de exigir uma atuação minimamente impecável dos seus protagonistas, que não decepcionaram e mandaram MUITO, MUITO bem. 

Tanto, que chega a ser difícil escolher o meu filme preferido. Entre eles, preparei uma pequena resenha sobre o que vocês podem esperar ao assistirem a telinha, que talvez sirva até para vocês escolherem quais realmente valem a pena (difícil!) e quais podem esperar mais um pouco. Eu prometo, vocês não vão se arrepender. Confiram:




O Jogo da Imitação

Durante a 2ª Guerra Mundial, Alan Turing foi um brilhante matemático de 27 anos que colaborou com as tropas aliadas no combate ao avanço nazista, que já ocupava grande parte da Europa. Para isso, Alan desenvolveu uma grande máquina com o objetivo de desvendar o Enigma, instrumento nazista usado para criptografar as cartas e ordens de Adolf Hitler. Além dessa missão política, no entanto, Alan também teve de lidar com sua própria vida pessoal e com a sua natural dificuldade em relacionamentos, que acaba o afastando de todos a sua volta. O filme é muito interessante, bem interpretado, e conta ainda com a atuação da querida Keira Knightley, que apareceu aqui no blog recentemente. Além disso, a sensibilidade com que o diretor e os atores trataram um dos assuntos mais conturbados do período, a homossexualidade, transforma o filme em um daqueles must que prometem fazer ainda muito sucesso nas bilheterias.



Sniper Americano

Protagonizado por Bradley Cooper, o longa narra a história real de Chris Kyle, atirador de elite das forças especiais da marinha americana, e sua atuação na Guerra do Iraque, onde ficou conhecido como "o mito". O mais envolvente no filme, entretanto, é justamente a forma como aborda as consequências mais arrasadoras da guerra na vida dos soldados americanos, mesmo depois de voltarem para a casa: a obsessão pelo combate, o trauma pelas mortes vividas e é claro, as amputações - físicas e psicológicas. Um salve para Bradley, que está fantástico no filme - e bem mais maduro do que nas suas últimas atuações. 




Boyhood: Da infância à juventude 

Um filme que demora 12 anos para ser concluído merece respeito. E esse é o caso. Acompanhando o crescimento e o amadurecimento do menino Mason, criado por pais divorciados, o filme aborda diversas questões comuns e rotineiras na vida da criança e do adolescente, além é claro dos primeiros traços da vida adulta. Com isso, torna-se um longa despretensioso e criativo, sem grandes emoções mas, ainda assim, envolvente: Acabamos por nos identificar muito com vários trechos da história.  




Birdman

Tenho que ser sincera com vocês: Eleito o melhor filme pela Academia, foi justamente Birdman que me decepcionou. Ao narrar a história de um ator de cinema que outrora fez muito sucesso interpretando o super-herói Birdman, e que agora luta para dirigir sua própria peça de teatro, o filme foca na questão da vida pós estrelato, quando o ator começa a ser perturbado pela sua própria obsessão pela fama e pelo seu antigo personagem. Desse modo, o longa pode ser descrito como um thriller psicológico e envolvente, que, no entanto, peca na monotonia e na relação entre realidade e ficção. Boa ideia, boas atuações, mas faltou surpresas. Merecia o Oscar? Assistam e me contem a opinião de vocês!




Whiplash - Em busca da perfeição

Fantástica. Nenhuma palavra define ou poderia definir melhor a atuação de Miles Teller e, principalmente, de J.K. Simmons (melhor ator coadjuvante pela academia, muito merecido) no filme, que trata justamente da busca incansável pela perfeição e os limites da força psicológica e física do personagem na luta por seus sonhos. Na história, Andrew é apenas um garoto com uma grande ambição: torna-se um astro da música americana como baterista. Para isso, no entanto, Andrew deverá passar pela prova de fogo que é a orquestra principal do conservatório de Shaffer, dirigida pelo personagem de J.K., Terence Fletcher. O que o menino não esperava, entretanto, era o tamanho da exigência e do perfeccionismo do mestre, que leva-o ainda além dos seus limites. Banhado a um bom jazz, o filme tem uma temática de excelência e atuações muito boas, embora a história seja um pouco restrita e o final, vago. O melhor mesmo fica por conta da exploração de uma temática que tantas vezes é subestimada nos filmes americanos: os limites do próprio ser humano. 


Selma

Selma é um daqueles filmes que nos faz pensar. Além de ser mais um dos estrelados históricos, o filme leva a questão racial para além da biografia de Martin Luther King, protagonista do filme e herói americano: Selma trata da histórica opressão a qual os americanos negros foram submetidos em anos e anos de exclusão. E principalmente os desdobramentos políticos dessa exclusão, como a busca pelos direitos eleitorais, que lhes foram negados ainda depois da Lei dos Direitos Civis de 1964. Para isso, adota como plano principal a histórica marcha liderada pelo pastor norte-americano entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, na luta por esses direitos. Desse modo, demonstra as nuances de uma sociedade marcada pelo ódio e pela segregação, cujos reflexos, no fundo, podem ser percebidos até hoje. Para refletir e inspirar.



Como dito, de todos, é quase impossível eleger um só como o meu favorito. Mas AMEI demais Boyhood, que, curiosamente, é justamente um dos filmes com a história mais leve, e sem grandes emoções...Vai entender! De qualquer modo, vale muito a pena que vocês assistam os filmes - e é claro, compartilhem suas opiniões, aqui, no blog. Alguma outra indicação? Tem vários outros filmes que concorreram a alguns prêmios e eu já tô doida pra ver, o que significa que esse post provavelmente vai ter uma continuação. Vocês curtem? Quero saber!

Um beijo, Jú.

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