Uma tarde no MAR

by - sábado, abril 04, 2015

Quem acompanha o blog há um tempo, sabe que eu sou meio art aholic e que sempre que viajo ou estou em um lugar diferente, faço questão de conhecer algum museu ou galeria de arte nova. Acho incrível como a arte, seja ela plástica ou não, consegue transmitir, além do estilo do artista, a atmosfera do país e toda a cultura do seu povo. Isso, aliás, já rendeu posts bem bacanas aqui no blog, como o Museu Beatle em Buenos Aires, o Museu de História Natural e o Met em NYC, e o Madame Tussauds, também em NYC. 

Agora que estou de volta ao Rio, tô tentando cumprir uma agenda cultural bem agitada aqui na cidade, que tem MUITA coisa bacana para oferecer para os turistas e moradores. E entre tantas opções de museus e exibições, a quarta-feira foi dia de MAR, o Museu de Arte do Rio, que é novinho e tem uma proposta bem bacana, ligada à comemoração dos 450 anos da cidade. 

Localizado na Praça Mauá, bem no coração da cidade, o MAR tem uma ideia voltada justamente para aquilo que os cariocas mais amam: o Rio de Janeiro. Daí, entre todas as exibições, pelo menos uma é dedicada ao Rio, que aparece sob diferentes perspectivas, olhares e traços dos nossos artistas favoritos. 

Atualmente o museu está com 4 exibições pra lá de bacanas, e eu tentei capturar o melhor delas para inspirar vocês a conhecerem o museu, que é uma opção bem interessante em meio à rotina agitada da cidade:


Zona de Poesia Árida Até o dia 14 de junho

De longe, a minha exposição favorita. Com uma proposta bem bacana e que foge do lugar-comum dos trabalhos mais tradicionais, a expô volta-se os grandes movimentos culturais, políticos e sociais que abalaram o Brasil ao longo dos anos. Com um conjunto de mais de 55 trabalhos de 16 coletivos de arte e ativismo de São Paulo, o espaço dedica-se para diferentes formas de arte que traduzem um pouco do grito do povo, um grito calado, entorpecido e por vezes, silenciado pela grande mídia. Para isso, faz uso de vídeo-instalações impressionantes, cartazes e fotografias intrigantes e muita, muita criatividade. Para refletir sobre a importância desses movimentos e o que simbolizam em um país como o Brasil.  


Do Valongo à Favela: imaginário e periferia  Até o dia 10 de maio

Pensa numa exibição carioca: é essa. Voltada para o Rio que camufla-se por trás de Copacabana, Ipanema e Leblon, a amostra traz um olhar representativo da história do Rio de Janeiro a partir do seu passado escravocrata e do seu presente periférico, que sobrevive bem ali, ao redor do próprio museu. Para isso, resgata imagens que traduzem um pouco de como a cidade atuou na importação dos escravos africanos e como isso contribuiu, como herança, para o erguimento dos principais morros e favelas da cidade, ocupados primordialmente justamente por esses negros libertos. A partir de imagens, fotografias cativantes e espaços interativos, a exibição aproxima os cariocas da sua história e de suas raízes, e propõe um olhar diferente para os contornos do Rio e para os filhos dessa terra.



Paisagens não vistas, Marcos Chaves Até o dia 14 de junho

Com um título bem sugestivo e um trabalho impecável, o artista Marcos Chaves volta-se para aquilo que passa despercebido pelo olhar do carioca em meio a agitação da cidade: o improvável. Para isso, incorpora contrastes explícitos e fotografa os principais cartões postais da cidade sob um diferente ângulo, por vezes ignorado e excluído, mas que muito tem a dizer sobre a própria cidade. As fotografias são incríveis, a ideia é MUITO boa e vai fazer você sair do museu se perguntando: puxa, como eu nunca percebi isso antes? 


Guignard e o Oriente: Entre o Rio e Minas  Até o dia 26 de abril

Com uma restrição quanto à captura de fotografias :( a amostra foi a única que não consegui fotografar pra vocês, mas fica a dica. Com uma proposta completamente diferente e inusitada, a exibição volta-se para o trabalho do artista Alberto da Veiga Guignard a partir da sua sincronização entre o Rio de Janeiro, lugar onde nasceu, e a paisagem de Minas Gerais, onde viveu por muitos anos, atentando-se, ainda, para o olhar oriental e especificamente chinês com que o artista preocupou-se em elaborar o seu trabalho. Desse modo, em meio a uma heterogeneidade muito específica, a amostra dialoga obras do pintor com a de outras artistas que também debruçaram-se, de certo modo, sobre o tema, e surpreende os visitantes por meio de detalhes da estética chinesa que encontram-se incrustados na nossa arte nacional sem que, no entanto, nos déssemos conta.   



Além disso, a partir do dia 14 de abril, duas amostras para lá de interessantes vão para o MAR: Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio e Rio - Uma paixão francesa, que também prometem voltarem-se para diferentes olhares sobre a cidade. Para anotar na agenda já! 

Muita coisa bacana, não é? Do que vocês gostaram mais? Já conhecem o MAR? Quero saber!

Beijo, Jú.

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