História da moda: Os anos 20

by - terça-feira, maio 19, 2015


Ah! Os anos 20... Considerados os anos dourados da moda. Depois de um longo período no qual a imagem da mulher esteve submetida aos interesses masculinos e aos preceitos conservadores, os anos 20 assistem a uma nova inserção da mulher no mercado de trabalho e, inclusive, na sociedade: De coadjuvante, a figura feminina torna-se protagonista.

Resultado da 1ª Guerra Mundial e do alistamento em massa dos homens, a inserção da mulher no mercado de trabalho significou também a criação de novos paradigmas e de novas formas da mulher expor-se em público, que inevitavelmente acompanharam as transformações culturais que assolavam a Europa naquele momento. É o período do jazz e das melindrosas, da art deco e do cinema.


Acompanhando essas mudanças substanciais na esfera pública, a mulher passa a se mostrar mais: os vestidos encurtam, e o figurinista Jacques Doucet sofre um bocado na mão dos conservadores. Mas não adianta - as mudanças já estão enraizadas naquela nova sociedade que nascia.

Jacques Doucet e a melindrosa dos anos 20: sensual e feminina

Braços e pernas vêm à mostra e os tornozelos tornam-se uma das partes mais sensuais da mulher dos anos 20. Além disso, a maquiagem, antes restrita a um realce delicado da beleza natural das mulheres, agora se torna exuberante, com olhos delineados, bocas em formato de coração e peles brancas como talco para destacar ainda mais o esplendor dos batons carmim.

O charleston, um novo estilo de dança americano, também passa a exigir a fluidez dos tecidos, que inevitavelmente apelam para a boa e tradicionalíssima seda: É a moda do movimento, as franjas das melindrosas, as dançarinas de cabaré.

Mas é também a moda do cinema e das grandes inspirações, como as atrizes Mary Pickford e Gloria Swanson. Além delas, a excêntrica dançarina Josephine Baker e sua sensualidade evidente se tornavam cada vez mais os retratos de uma sociedade que, aos poucos, se acostumava com o jogo do corpo e da liberdade sexual feminina. Não é a toa que, em 1920, a companhia norte-americana Jantzen tenha lançado seu primeiro maiô, e em 1924, o estilista Jean Patou tenha escandalizado a careta aristocracia francesa ao propor roupas esportivas, como os modelos criados para a tenista Suzanne Lenglen, e maiôs modernosos, de inspiração cubista.

Mary Pickford e Gloria Swanson, divas do cinema norte-americano
Campanha comemorativa da Jantzen, que retoma o maiô vermelho da década de 20
A sensual dançarina Josephine Baker e a tenista Suzanne Lenglen, com modelo criado por Patou

Além disso, a década de 20 é também o momento em que a mulher assume o controle da produção: De costureiras terceirizadas a estilistas reconhecidas, os anos dourados têm em Gabrielle Bonheur Chanel, a eterna Coco, o seu exemplo mais reconhecido e lembrado, até hoje, nas semanas de moda internacionais. Com uma estética voltada essencialmente para a praticidade e para a elegância da mulher francesa, Coco eternizou modelos de capas, blazers, cardigãs e colares, tornando-se referência de estilo e bom gosto em todo o mundo.

Os acessórios também foram reinventados. Acompanhando as transformações dos comprimentos dos vestidos, a meia calça bege tornaram-se companheiras número 1 das mulheres nessa década, simulando pernas nuas; os colares de pérolas foram retomados por Chanel, e o corte de cabelo, a la garçonne, pedia um novo estilo de chapéu, o cloche, que funcionava como uma espécie de toca romântica.

A elegância de Coco e os charmosos cloches, os novos "chapéus"

Desse modo, e significando uma nova contextualização da figura feminina no quadro social, a década de 20 revelou, na verdade, uma verdadeira transformação na moda feminina que se tornou, a partir de então, cada vez mais libertadora e, de certo modo, sensual. Mais do que uma transformação dos tecidos, a moda já mostrava o seu caráter extremamente social e perturbador, acompanhando as mudanças da época e o surgimento de uma nova sociedade, aberta a novos preceitos. 

Rica, dinâmica e cada vez mais intuitiva, a moda como a temos hoje já ia revelando sua cara.. E seguiu mudando, conforme os caminhos que os avanços sociais inevitavelmente a conduziram.. Até hoje.

UPDATE!

E para quem curte história da moda e principalmente a história da mulher na sociedade brasileira, a exposição Tarsila e mulheres modernas no Rio, até o dia 20 de setembro no MAR, está imperdível. Reunindo o trabalho de vários artistas brasileiros e traçando um verdadeiro histórico dos avanços e das conquistas femininas na arte, no esporte, na mídia e inclusive na política, a amostra conta ainda com um espaço dedicado especialmente a Tarsila do Amaral, uma das maiores artistas brasileiras.

Tarsila e Mulheres Modernas no Rio
Museu de Arte do Rio - Praça Mauá 5, Centro
Até o dia 20 de setembro de 2015

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