Uma tarde em Santa Teresa

by - quinta-feira, setembro 22, 2016



Quando eu acho que o Rio de Janeiro não pode mais me impressionar: ele me impressiona. 
E foi assim na última tarde de sábado, quando tive a oportunidade de conhecer um dos pontos turísticos mais charmosos do Rio e que, apesar de morar na cidade, ainda não tinha ido conhecer.

Engraçado isso: morando em uma cidade turística, muitas vezes nos acomodamos diante do rotineiro e deixamos de conhecer vários pontos legais. E não só numa cidade turística, como também em todas as cidades. Viajando descobri que existem refúgios, lugares escondidos, para longe do lugar-comum dos grandes roteiros que merecem ser experimentados, registrados, vividos. Esses lugares - sejam bairros pequenos ou cidades do interior - guardam, de certa maneira, muito da história, da origem e da identidade de cidades e países inteiros e, por isso, merecem e devem ser conservados e reconhecidos. E acreditem, até mesmo na cidade ou no bairro onde você vive ainda há muito a conhecer, a explorar. Experimente.

Mas voltando ao Rio, o bairro de Santa Teresa é um desses refúgios emblemáticos da cidade, também conhecido como a "Montmartre" carioca. Analogia carismática, suponho. Apaixonada por esse quartier francês, como vocês bem sabem, fui conhecer Santa Teresa com muita vontade e expectativas a mil.

Resultado: não me decepcionei.





Escadaria Selarón

Para começar o nosso passeio, optamos por conhecer primeiramente a escadaria Selarón, que não é muito segura à noite*.
A obra, que fica entre Lapa e Santa Teresa (10 minutos à pé a partir da estação Cinelândia), foi decorada pelo artista chileno Selarón entre 1990 e 2013, e foi tombada em 2005 como patrimônio da cidade.
Realmente, o trabalho do artista impressiona ao longo dos 215 degraus que compõem a escadaria. São muitos azulejos de vários lugares do mundo, com referências à músicos, artistas e personagens característicos da cultura mundial.
Inicialmente, Selarón financiava sozinho os azulejos que usava, mas conforme o seu reconhecimento e repercussão se tornaram maiores, o artista passou também a ganhar alguns azulejos para complementarem o seu projeto. Hoje, mesmo depois da morte do artista, o espaço é muito bem preservado e bonito, lotando de turistas nos fins de semana.

*No horário em que chegamos, por volta de 15:00, haviam também policiais no local, que alertavam não recomendar com uma subida à Santa Teresa pela escada, que poderia ser perigoso. Diante disso, pedimos um Uber e seguimos para o nosso próximo destino.

Chácara do Céu

Da escadaria seguimos para o Parque das Ruínas, que tem uma espécie de conexão (uma ponte, vai) com a Chácara do Céu, museu do grupo Castro Maya que reúne algumas das peças de coleção do empresário.
Além da casa em si impressionar pela sua arquitetura (lindíssima, vale reafirmar), o compacto museu traz algumas peças incríveis que fizeram parte da coleção particular de Castro Maya, empresário, mecenas e amigo de vários artistas famosos.
Entre os quadros, podemos encontrar preciosidades de Matisse, Miró, Di Cavalcanti, Guignard, Antonio Bandeira e Portinari, além de mapas antigos, ilustrações e pinturas de artistas que retrataram o Brasil, como Debret.

A arte admirável, combinada com uma arquitetura incrível - com direito a um jardim de tirar o fôlego! - tornam a experiência, no mínimo, imperdível. E o melhor: tudo isso por apenas R$2!

Funcionamento
Todos os dias, exceto às terças, de 12:00 às 17:00
Ingresso por R$2,00
Mais informações aqui

Apresentação musical no Parque das Ruínas

Por fim, um dos pontos mais conhecidos e falados de Santa Teresa é, com certeza, o Parque das Ruínas.
Construído a partir das ruínas do que foi um dia uma das casas mais badaladas do Rio de Janeiro - a casa de Laurinda Santos Lobo, ora bolas! - o espaço manteve-se até hoje como reduto da arte e da cultura carioca.
Por isso, além de receber peças de teatro, exposições itinerantes e vários e vários artistas que lá vão apenas para se inspirar, o espaço também é campo de atuação de apresentações musicais ao ar livre, como a que presenciamos no último sábado.
Além disso, a vista incrível da cidade e a arquitetura do lugar favorecem - e pedem - muitas fotos e contemplação.

Funcionamento
Terça à Domingo, das 8h às 20h
Entrada Franca
Mais informações aqui

Vista incrível do Parque das Ruiínas

 Preparem as câmeras, as canelas (Santa Teresa tem muitas subidas) e aguardem o próximo post, com mais alguns detalhes desse bairro tão simpático do Rio de Janeiro.

E voltando às questões iniciais: Até que lembra Montmarte, sim. Só que um sotaque do Rio, um quê de Brasil único, especial. E é muito, muito bom!

Até a próxima!

Jú.

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