Sobre sonhos e histórias

by - quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Desde que cheguei em Paris, tenho recebido várias perguntas sobre o processo de intercâmbio e até mesmo sobre a minha própria vida: como eu cheguei aqui, qual curso que eu fiz, o meu percurso profissional até agora... Principalmente pra quem me conhece de Cabo Frio, uma cidade pequena no litoral carioca, pode surpreender que, em tão pouco tempo tempo (tenho 20 anos!), eu já tenha realizado alguns sonhos. 

E, na verdade, eu exitei muito em falar sobre isso aqui porque: 1) fiquei com medo de me expôr; 2) fiquei com medo de parecer egocêntrico, egoísta; e 3) porque eu sei e reconheço que as oportunidades, infelizmente, não são iguais para todo mundo - por mais que eu acredite que TODOS sejamos capazes - e que, às vezes, ser muito bom em uma coisa não significa que você vá ter sucesso.  

Mas, por outro lado, resolvi falar sobre isso porque durante todo o meu amadurecimento pessoal e profissional, foi muito importante acompanhar histórias inspiradoras de meninas que conquistaram aquilo que sonharam, independente da idade, da origem, da condição financeira, por exemplo. E por mais que eu não seja nenhum "case" e ainda tenha muito a realizar nessa vida (mesmo!), acho importante compartilhar com quem me acompanha aqui no blog, nas redes sociais e na vida, algumas palavras de positividade e até mesmo dicas pra quem, assim como eu, acredita muito no sonhar

Vamos lá?


Juliana, muito prazer. Carioca de Jacarepaguá, morei em Marechal Hermes, subúrbio carioca, até os 9 anos, quando me mudei com a minha família para Cabo Frio. Na cidade, estudei no Colégio Franciscano Sagrado Coração de Jesus até o último ano do Ensino Fundamental. Com 14 anos, fiz curso preparatório no Já, perto da rodoviária, para passar no Instituto Federal Fluminense (IFF), onde fiz curso técnico de Hospedagem até 2014. 

Paralelamente, entrei no curso de francês no Yázigi. Já era formada em inglês pelo CCAA e não tinha dúvidas de que queria aprender outra língua, sobretudo o francês, que sempre me encantou tanto. Além disso, há tempos Paris figurava nos meus sonhos. Mas não foi fácil achar um curso: tive que rodar Cabo Frio por um bom tempo até achar uma turma (sim, não completava turma!), o que felizmente aconteceu no Yázigi. Adorei o curso. Aproveitei cada segundinho dos 3 anos que estudei lá e sou muito grata a professora Cida Alves por todo o apoio, até hoje.

Terminei o curso no final de 2014, mesmo ano em que prestei vestibular e voltei para a Cidade Maravilhosa, onde comecei o curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda na UFRJ, em 2015. Em julho de 2015, a realização de mais um sonho: vim para Paris pela primeira vez, para estudar durante 1 mês no curso Eurocentres, em intercâmbio com o Yázigi. Posso dizer que esse foi o mês mais intenso e apaixonante da minha vida. 

Toda feliz em Paris, 2015
De volta ao Brasil, a busca incessante por um estágio. Em 2016, comecei a estagiar na Webedia, como redatora dos blogs DermaClub, da L'Oréal, e Beleza do Mundo, da The Body Shop. Foi o máximo. Aprendi muito e tenho um carinho enorme por todo mundo de lá. No final do ano, fui selecionada para um estágio na equipe de marketing da Farm, marca que eu amo desde sempre, e me tornei redatora do adoro!, além de ajudar produção de e-mails, eventos e tudo o que envolvia texto na marca. Nem preciso dizer que esse foi mais um sonho, né? E entre os muitos presentes que a Farm me deu, as amizades que eu levo de lá são, com certeza, o melhor deles! 

No meio de 2017, no entanto, sai da Farm com coração apertado para me aventurar em algo completamente diferente: fui pra NBC Universal, ou melhor, Universal Channel, trabalhar com marketing e outra paixão: o cinema. Foi lá que eu descobri esse universo louco das séries e vivi uma experiência completamente diferente do que eu tinha até então. Valeu cada segundo.

FARM ♥
E em 2018, para ser mais exata no primeiro dia do ano, cheguei em Paris para mais um sonho: 6 meses de intercâmbio na Sorbonne. Os últimos meses de 2017 foram tão intensos que é difícil colocar em palavras: processo da UFRJ (que, basicamente é por CR), aprovação da Sorbonne (basicamente, pelo nível de francês), entrada no processo de visto, compra de passagem em cima da hora, hospedagem na capital francesa. Foi um turbilhão tão intenso de sensações que é difícil colocar em palavras: a alegria de estar vindo, o medo, a insegurança, a saudade, mais alegria, medo de novo. Mas hoje, passado tudo isso, posso dizer que valeu completamente a pena. Tudo. Cada segundo. Cada real economizado nos últimos estágios. Cada noite fazendo exercício de francês, lá em 2013. E até as lágrimas que rolaram de nervosismo. Tudo valeu a pena.

Mas, respondendo com calma às principais questões, é importante dizer que eu não vim com bolsa, mas num quadro de mobilidade internacional onde a minha universidade, a UFRJ, tem uma parceria com a Sorbonnne - Paris 3, onde estudo. Acredito que todas ou a maioria das universidades também tenham parcerias internacionais e é sempre bom ficar de olho na abertura de editais para se inscrever. E reunir muitos documentos, é claro. Cada edital é único, então não adianta eu dizer tudo o que eu tive que reunir porque, bem, isso varia de caso a caso. 

Paris, 2018
Então, basicamente o que você tem que fazer para participar de um intercâmbio é:

1) ficar de olho na seção de mobilidade internacional da sua faculdade, que geralmente tem uma página na internet, para verificar as aberturas de editais; alguns tem bolsas (são muito raros), e outros não. Como eu já estou acabando a faculdade, não pude esperar mais um semestre para ver se algum edital com bolsa iria abrir, e por isso me candidatei de cara nesse, que é mais comum;

2) uma vez inscrito, esperar o resultado e começar a reunir os documentos. É importante dizer também que é fundamental manter um CR bacana para se inscrever. A maioria dos programas leva em consideração, primeiro, o CR, já que o número de vagas é limitado;

3) passou no processo, entregou os documentos? Oba! Agora é esperar a Carta da universidade estrangeira. Provavelmente a sua faculdade vai enviar seus documentos para lá e você só tem que esperar, mesmo, mas é sempre bom perguntar para confirmar 😉

4) carta de aceite em mãos? Parabéns, é isso! Dependendo do país para onde você vá, vai precisar de visto. E aí começa mais uma chatice de reunir documentos para o consulado e tal, mas eu juro que passa! rs Nesse momento, você também vai ter que comprar a passagem e resolver o alojamento, o que já é outra chatice - e que varia de lugar para lugar. Depois posso fazer um post melhor sobre a minha experiência em um alojamento universitário aqui na França 😊

5) passagem comprada, residência resolvida, visto em mãos: hora de fazer a mala. Nesse post eu conto um pouco da minha experiência de viajar para 6 meses de intercâmbio com 2 malas de 23kg.

Ufa! Acho que me prolonguei um pouco no post, não é? Mas pelo menos assim vocês sabem um pouco mais de mim e tiram algumas dúvidas! Se quiserem saber mais alguma coisa, é só perguntar viu? ♥

E vale lembrar: aquela Juliana procurando o cursinho de francês já sonhava com o que eu vivo hoje, mas ciente de todas as dificuldades que, naturalmente, se impõem. Mas acreditava, assim como eu hoje acredito em todos os outros sonhos que carrego. Acreditar é o primeiro passo no sentido da realização, e no caminho é preciso ter muita luta, perseverança mesmo. Na fraqueza, é esse "acreditar" que te ergue.

Então se você tem algum sonho aí dentro de você, seja desde a sua infância ou não, não o menospreze. Só eu sei de quantas pessoas eu ouvi "que seria muito difícil" chegar até aqui. E foi mesmo, afinal. Mas o que não esperavam era a força e a vontade que eu estava disposta a dedicar por esse sonho, por todos eles. Confie em você, trabalhe duro, dê o seu melhor. Acredite. Tenha fé. E agradeça, todos os dias.

Aqui, do outro lado da telinha, eu sigo torcendo por você.

Um beijo,

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2 Opiniões sobre

  1. Oi Ju!

    Parabéns pelo esforço. Eu sei que como você mesma escreveu no início do texto, as oportunidades não são iguais para todos, mas sei que se você não tivesse se esforçado para agarrar as que te surgiram não terias conseguido chegar em Paris, e passaria a vida pensando em como poderia ter sido realizar seu sonho. Por trás das poucas palavras desse texto, sei que existe muito mais no dia a dia. Enfim, fico muito feliz de ver que você não é mais uma milionária que ganhou uma viagem num piscar de olhos, mas que buscou ir atrás dos seus sonhos e se preparou também pois isso nos leva pra mais perto dessa realidade. Eu não faço publicidade, e nem sou tão ligada em moda mas acredito que sua experiência serve de inspiração sim, pra mim e pra outras pessoas que têm sonhos mesmo que diferentes!

    Aproveite todo tempo aí, e que Jesus possa guardá-la em todo tempo.

    Beijos,

    Alexandra.

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    Respostas
    1. Ale,

      você me emociona com a sua resposta! Muito obrigada pelo apoio e por torcer por mim. Saiba que isso é 100% recíproco, mesmo!
      Que papai do céu também te abençoe,
      Beijinhos,
      Ju

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